quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Semana de Arte Moderna

1. Onde e quando aconteceu a Semana de Arte Moderna?
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2. O que marca a Semana de Arte Moderna na literatura brasileira?
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3. Cite dois artistas participantes da Semana na:
a) Música: b) Literatura: c) Pintura:
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4. Cite dois livros publicados antes da realização da SAM, que de uma forma ou de outra, motivaram a realização da mesma.
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5. Além de declamação de poesia, o que mais foi apresentado nesses três dias?
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6. Cite os dois objetivos principais da Semana de Arte Moderna.
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7. Qual o nome do poema de Manuel Bandeira lido na SAM por Ronald de Carvalho?
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8. Em dezembro de 1917, Anita Malfatti realizou em São Paulo uma exposição de arte com cinqüenta e dois trabalhos que apresentavam forte tendência expressionista, dentre os quais “A estudante russa”.



Sobre a obra, é correto afirmar:

a) O tratamento realista que recebeu tornou-a alvo de críticas mordazes dos modernistas durante a exposição de 1917.
b) Revela o principal objetivo dos artistas modernistas brasileiros: a elaboração de obras de difícil compreensão para o público.
c) É resultado da busca de padrões acadêmicos europeus para a reprodução da natureza com o máximo de objetividade e beleza.
d) Marca o rompimento com o belo natural na arte brasileira, refletindo a liberdade do artista na interpretação do mundo.
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9. Na década de 20, anos pioneiros do modernismo, artistas como Brecheret, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral expressaram em suas obras a visão de mundo daquele período. Observe as reproduções a seguir dos artistas citados e assinale a alternativa que corresponde aos conteúdos expressos pelos artistas.



a) Potência e força; malícia e sensualidade; brasilidade e imaginário popular.
b) Brasilidade e imaginário popular; religiosidade e espiritualidade; malícia e sensualidade.
c) Malícia e sensualidade; suavidade e lirismo; dramaticidade e ansiedade.
d) Brejeirice e volúpia; devoção e espiritualidade; potência e força.

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10. Assinale a alternativa que indica o nome do(a) artista que ilustrou a capa, reproduzida abaixo, para o Catálogo da Semana de Arte Moderna de 1922.
a) Emiliano Di Cavalcanti b) Mario de Andrade c) Victor Brecheret d) Anita Malfatti


11. Sobre a importância da SAM, analise os itens a seguir:
I. Representou a confluência de várias tendências de renovação;
II. Conseguiu chamar a atenção dos meios artísticos de todo o país e aproximar artistas com idéias modernistas que se encontravam dispersos.
III. Permitiu a troca de idéias e de técnicas, o que ampliaria os diversos ramos artísticos e os atualizaria em relação ao que se fazia na Europa. Estão corretas: a) I e II b) II e III c) I, II e III d) I e III
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12. Observe a obra “A Negra” de Tarsila do Amaral e responda às questões A e B.
A - Em “A Negra”, Tarsila estabelece um diálogo entre uma poética construtiva européia e uma das vertentes do modernismo brasileiro. São elas, respectivamente:
a) Cubismo e Movimento Pau-Brasil. b) Futurismo e Movimento Pau-Brasil.
c) Surrealismo e Movimento Antropofágico. d) Impressionismo e Movimento Antropofágico.

B - A partir da observação da figura, é correto afirmar que a obra apresenta:
a) Preocupação em retratar fielmente a realidade humana e social do país através de um tratamento formal naturalista.
b) Um afastamento da realidade física e humana do Brasil, a partir da adesão aos postulados e procedimentos das vanguardas históricas européias.
c) Características conservadoras contrárias às conquistas estéticas do Movimento Modernista.
d) Uma relação entre imaginário popular e procedimentos plásticos extraídos das vanguardas européias.


13. Sobre os manifestos ocorridos no Brasil após a SAM, enumere-os de acordo:
1. Pau-Brasil 2. Verde-Amarelismo 3. Manifesto Regionalista 4. Antropofagia
1. ( ) Início quando Oswald de Andrade lança o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”.
2. ( ) Alguns participantes: Tarsila, Oswald, Mário de Andrade, Raul Bopp
3. ( ) Parte-se para a idolatria do tupi e elege-se a anta como símbolo nacional.
4. ( ) Objetivo desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste dentro dos novos valores do Modernismo.
5. ( ) Apresenta uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.
6. ( ) Criticava o nacionalismo “afrancesado” de Oswald de Andrade e apresentava um nacionalismo ufanista.
7. ( ) Aprofunda e amplia as propostas presentes em Pau-Brasil.
8. ( ) Participantes: Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Paulo Prado.
9. ( ) Inspirado no “Abaporu”.
10. ( ) “— A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. como somos.”
11. ( ) Proposta: trabalhar em prol dos interesses da região: social, econômico e cultural.
12. ( ) Propunham a devoração da cultura estrangeira, porém sem perder nossa identidade cultural.
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14. A polêmica Semana de 22, os escândalos no Teatro Municipal de São Paulo e as críticas ferozes levaram artistas e
intelectuais modernistas a criarem veículos representativos e de disseminação do ideário estético do Movimento
Modernista Brasileiro. Assinale a capa da publicação que registra o momento inicial de articulação daquele ideário.

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15. “Carnaval em Madureira” é parte integrante da fase Pau-Brasil de Tarsila do Amaral. Com base na obra e nos conhecimentos sobre o “Manifesto Pau-Brasil”, de Oswald de Andrade, é correto:
a) A obra de Tarsila do Amaral reflete profunda tristeza acerca da dura vida na favela, sendo esta mesma tristeza professada no “Manifesto Pau-Brasil”.
b) A Torre Eiffel no meio da favela reforça uma das idéias contidas no “Manifesto Pau-Brasil”: a arte européia sempre foi superior à arte brasileira.
c) Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade propõem uma arte ligada às raízes culturais brasileiras, não perdendo de vista a expressão artística moderna.
d) Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade criticam os costumes da população brasileira, vistos como fatores de atraso cultural.

16. Este quadro do repertório da arte brasileira deste século, adquirido por um colecionador argentino, recentemente esteve exposto em São Paulo, conforme foi amplamente noticiado pelos jornais. Assinale a alternativa correta.
a) Chama-se “Ababaçu” e é um dos melhores exemplos da técnica da aquarela da artista Anita Malfatti.
b) Foi pintado em 1929, chama-se “O Abaporu” e é de autoria da pintora Tarsila do Amaral, caracterizando-se como obra pertencente ao chamado movimento antropofágico.
c) É uma obra significativa apresentada na SAM de 22.
d) É uma obra polêmica, que provocou muitas discussões entre artistas e intelectuais.

17 Sobre a SAM, assinale V ou F:
1. ( ) O movimento modernista marcou a aproximação dos artistas brasileiros com a estética européia tradicional.
2. ( ) Ao apresentar os princípios da chamada arte moderna, a Semana de Arte Moderna marcaria uma importante ruptura cultural, que influenciaria a literatura brasileira moderna e a contemporânea.
3. ( ) Foi produzida por jovens artistas preocupados sobretudo em propagar os ideais do Futurismo.
4. ( ) Entre as propostas modernistas destacou-se, sobretudo na literatura, o engajamento com a história, em uma tentativa de se redescobrir a identidade do povo brasileiro.
5. ( ) Os modernistas, por levarem às últimas conseqüências a liberdade formal na escrita literária, desprezaram em suas obras o conteúdo.
6. ( ) O espírito acadêmico vigente na arte brasileira não contestou as propostas apresentadas na Semana de Arte Moderna.
7. ( ) O poema Os Sapos (de Manuel Bandeira), declamado durante a Semana de Arte Moderna, criticava os poetas parnasianos e a sua forma de fazer poesia.
8. ( ) Um dos objetivos dos promotores desse evento era escandalizar a sociedade, considerada retrógrada, reunindo um conjunto de obras e artistas inovadores.
9. ( ) A SAM queria lançar as bases de uma produção artística em moldes acadêmicos, pois no Brasil se valorizava tradicionalmente a produção cultural popular.
10. ( ) A SAM foi realizada no Teatro Municipal de São Paulo, apresentando novas idéias artísticas na poesia, na música e nas artes plásticas, com telas, esculturas e maquetes de arquitetura.
11. ( ) A SAM queria favorecer o contato com obras criadas na Europa, uma vez que no Brasil pouco se conhecia de arte, produzindo uma doutrina nos moldes europeus.
12. ( ) A SAM quis trazer ao País uma amostra das vanguardas européias, mediante a apresentação de obras de artistas estrangeiros.
13. ( ) Na principal noite da Semana, enquanto Menotti Del Picchia expunha as linhas e objetivos do movimento e Mário de Andrade recitava "Paulicéia Desvairada", eles foram aplaudidos de pé.
14. ( ) A Semana foi uma tomada de posição de jovens intelectuais paulistas a favor das práticas dominantes no país.
15. ( ) O programa do modernismo foi marcado pela rejeição das concepções estéticas e práticas artísticas românticas, parnasianas e realistas.
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18. Sobre a SAM podemos dizer que:
a) O romance regional assumiu características de exaltação, retratando os aspectos românticos da vida sertaneja.
b) A escultura e a pintura tiveram seu apogeu com a valorização dos modelos clássicos.
c) O movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os temas nacionais e reinterpretando nossa realidade.
d) A preocupação dominante dos autores foi com o retratar os males da colonização.

Resumo de Português e Literatura

LEITURA

TEXTO 1

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
Tam doentes da partida,
Tam cansados, tam chorosos,
Da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
Tam fora d´esperar bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

(João Roiz de Castelo Branco. In Rodrigues Lapa
As melhores poesias do Cancioneiro geral.
Lisboa 1939.p 128)


TEXTO 2

Coração, onde jouvestes
Que tam má noite me destes?

Toda a noite pelejei
Eu, que já mais não podia;
Busquei-vos, não vos achei;
Sem vós, eu só que faria?
Deste-mês dores de dia
Pólo que assi me fizestes;
De noite dores me destes.

(Sá de Miranda. In S. Spina, op.cit.p.190.)


COM RELAÇÃO AOS TEXTOS

1- Lendo com atenção o texto 1, você vai perceber que existe uma palavra, cuja repetição, na maior parte dos versos, por seu som semelhante a uma batida, é responsável pela marcação rítmica do poema (lembre-se de que não há mais acompanhamento musical).Qual é essa palavra?
2- Comparando o texto 1 ao 2, você vai perceber que em ambos existe uma palavra relativa a uma parte do corpo humano que representa a totalidade dele.Quais são essas palavras?Qual é a figura de linguagem que representa o todo pela parte?
3- Você deve ter percebido que os dois textos tem a mesma métrica.Qual é ela?
4- Quais os elementos que, no texto 1, revelam a herança trovadoresca? Que herança é essa?

O RENASCIMENTO

TEXTO 1

SONETO DO MAIOR AMOR

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida malaventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

(In Vinicius de Moraes, São Paulo
Abril, 1980 p. 34 – Literatura Comentada)

TEXTO 2

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um descontentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer ;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

( In Luis Vaz de Camões, São Paulo
Abril, 1980, p. 31 – Literatura Comentada)

COM RELAÇÃO AOS TEXTOS

1- De acordo com o que vimos quando estudamos Gêneros literários, qual é o nome da forma poética em que estão escritos os dois textos?


PRIMEIRA ÉPOCA MEDIEVAL

CLARA

Quando a manhã madrugava
Calma
Alta clara
Clara morria de amor.

Faca de ponta flor e flor
Cambraia branca sob o sol
Cravina amor
Cravina e sonha.

A moça chamada clara
Água
Alma
Lava
Alva cambraia no sol

Galo cantando cor e cor
pássaro preto dor e dor
um marinheiro amor
distante amor
e a moça sonha só
um marinheiro sob o sol
onde andará meu amor
onde andará o amor
no mar amor
no mar ou sonha

Se ainda lembra o meu nome
longe
longe
longe
onde estiver numa onda num bar
numa onda que quer me levar
para o mar de água clara
clara
clara
clara
ouço meu bem me chamar.

Faca de ponta dor e dor
cravo vermelho no lençol
cravo vermelho amor
vermelho amor
cravina e galos.

E a moça chamada clara
clara
clara
clara

alma tranqüila de dor.

( Caetano Veloso)

COM RELAÇÃO AO TEXTO

1- A “cantiga” de Caetano conta uma pequena história. Que história é essa?

2- Lendo com atenção, você percebe que há no texto duas vozes: a do poeta que “canta” a história de Clara e a voz da própria Clara, que chama por seu amor. Em que estrofes ouvimos a voz de Clara?

GRAMÁTICA

4- Assinale o vocábulo que contém cinco letras, quatro fonemas e duas sílabas.
a) estou b) adeus c) livre d) volto e) daqui

5- Assinale a alternativa onde há somente palavras com ditongos orais:
a) acordou/ estações/ distraído
b) coordenar/ Camboriú/ cidadão
c) falei/ família/ capitães
d) jamais/ atribui/ defendeis
e) comprimiu/ vieram/ averigúem

6- A única alternativa que apresenta palavras com encontro consonantal e dígrafo é:

a) graciosa
b) prognosticava
c) carrinhos
d) cadeirinha
e) trabalhava

7- As palavras cantei, cantam e cheiro apresentam, respectivamente:
a) ditongo crescente, ditongo crescente, ditongo crescente.
b) ditongo decrescente, ditongo decrescente, ditongo decrescente.
c) hiato, hiato, hiato.
d) hiato, ditongo crescente, ditongo crescente.
e) ditongo crescente, hiato, ditongo decrescente.

8- Explique a diferença entre:
a) Ele invocou o argumento precedente.
b) Ele invocou o argumento procedente.

9- Aponte o único conjunto onde há erro de divisão silábica:
a) flui-do, sa-guão, dig-no
b) cir-cuns-cre-ver, trans-cen-den-tal, tran-sal-pi-no
c) com-vic-ção, tung-stê-nio, rit-mo
d) ins—tru-ir, na-te-pas-as-do, se-cre-ta-ri-a
e) co-o-pe-rar, dis-tân-cia, bi-as-vó

10- Em que conjunto a letra x apresenta o mesmo valor fonético?
a) exame - exíguo- xale- exceção
b) exilar – exorbitar – próximo – excêntrico
c) sexo – tóxico – axilas - nexo
d) exalar – exonerar – queixa – hexacampeão
e) trouxe – texto – sintaxe – léxico

EXERCÍCIOS

1- separe as sílabas de todas as palavras da frase em que inicia o seguinte anuncio:


DÊ UMA
OLHADINHA
NOS PNEUS
DO SEU CARRO:
ELES PODEM
ESTAR PREMIADOS.


2- Transcreva, das palavras analisadas no exercício anterior, os dígrafos e os ditongos.

3- Identifique a cacofonia do cronista José Simão, no seguinte trecho:
“ {...} Vou dar de presente a minha mãe um cacófato: minha mãe come galinha e eu amo ela”.

4- Identifique as palavras que apresentam dígrafos:

psicólogo espanhol
depoimento lixo
melhor bicharada
corretor jornais

5- Classifique os grupos vocálicos das palavras:

iguais também
lua noite
água duas
coisa comprarão
levaram órgão

6- Indique três palavras para cada vocábulo, mudando apenas o fonema inicial: gato – lente – teia
( modelo: dor – pôr, cor, for )


7- Leia o poema transcrito abaixo:

TENSÃO

sem som
tem som?

não tem som
em sem som?

som tem cantem
em sem sem som
som, hem? sem tom
tudo som tem
se sem som sol tem
som tem dancem
tem o mesmo som cantem
tem tom.
( Rui Campos )


a) O poeta trabalha com a parte das palavras, construindo um jogo de significações.
Considere o som das expressões abaixo, e não apenas a grafia, para descobrir os dois sentidos possíveis de cada uma. Exemplifique-os.
Tensão – tem tom – sol tem
b) Pensando na muitas relações que podem existir entre as palavras ( semelhança, oposição, comparação, etc), que tipo de relação existe entre o título do poema e os três últimos versos?

REDAÇÃO

DESCRIÇÃO - NARRAÇÃO - DISSERTAÇÃO

É possível identificarmos, no texto escrito, elementos descritivos, narrativos e dissertativos. A narração e a descrição aparecem, freqüentemente, num mesmo texto. Se você está contando uma viagem ( narração ), provavelmente incluirá características dos lugares que visitou, das pessoas que conheceu ( descrição ). E, se você terminar esse mesmo texto com uma reflexão sobre a importância do lazer na vida das pessoas, estará incluindo um elemento dissertativo. Mesmo assim, podemos dizer que sua redação é uma narração, pois há predomínio de características narrativas.
No livro Senhora Dona do Baile, a autora Zélia Gattai faz um relato de uma viagem que fez ao Leste europeu, em 1948. Leia alguns trechos:

Situados a quarenta quilômetros de Praga, na localidade de Dobris, o Castelo dos Escritores era, sem tirar nem pôr, uma cópia em miniatura do Palais de Versailles. Apenas não possuía as dimensões gigantescas do palácio de Luís XIV. Seus jardins e parques também haviam sido copiados a capricho dos famosos jardins de Versailles. Suntuosos salões de festa, bibliotecas bem sortidas, salas de jogos com mesa de bilhar, galerias ostentando quadros de caça e cabeças de veados embalsamados, penduradas pelas paredes, luxuosos aposentos, sessenta ao todo. O castelo de Dobris estava agora a disposição dos escritores tchecos.

( Zélia Gatai, Senhora Dona do Baile, Rio de Janeiro: Record. 1985,p. 57-93

sábado, 5 de setembro de 2009

Trabalho Infantil

Segundo dados do IBGE, 40% das crianças brasileiras entre 0 e 14 anos vivem em condições miseráveis, ou seja, a renda mensal familiar não passa de metade do salário mínimo. Uma em cada seis ingressa no mercado de trabalho antes de completar 15 anos. Dos 15 aos 17, quando deveria estar na escola, metade está no batente.
As notícias sobre trabalho infantil têm trazido à discussão a forma como nosso país investe no futuro. A partir dessa discussão, redija um texto argumentativo capaz de sustentar seu ponto de vista acerca de seguinte afirmação- base:

“ O trabalho infantil anula o verdadeiro sentido da infância”

OBS: Seu texto deve ter no mínimo 20 linhas.
Procure estruturá-lo em introdução, desenvolvimento e conclusão, a norma padrão da língua.
Dê um título a sua redação, que deverá ser apresentada a tinta azul ou preta.
Boa Prova!

Violência epidêmica

A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais, é nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas.
A prevalência varia de um país para o outro e entre as cidades de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros urbanos e se dissemina pelo interior. A incidência nem sempre é crescente, mudança de fatores ambientais e medidas mais eficazes de repressão, por exemplo, podem interferir em sua escalada.
As estratégias que as sociedades adotam para combater a violência flutuam ao sabor das emoções, raramente o conhecimento científico sobre o tema é levado em consideração.A agressividade impulsiva é conseqüência de perturbações nos mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências agressivas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas que os tornam despreparados para lidar com as frustrações de seus desejos.
A violência urbana é uma doença com múltiplos fatores de risco, dos quais os mais relevantes são a pobreza e a vulnerabilidade biológica.
Os mais vulneráveis são os que tiveram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao desenvolvimento psicológico pleno.
A revisão dos estudos científicos já publicados permite identificar três fatores principais na formação das personalidades com maior inclinação ao comportamento violento:
1. Crianças que apanharam, foram abusadas sexualmente, humilhadas ou desprezadas nos primeiros anos de vida.
2. Adolescência vivida em famílias que não lhes transmitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram limites de disciplina.
3. Associação com grupos de jovens portadores de comportamento anti-social.
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crianças que se enquadram nessas três condições de risco alimentando a violência crescente nas cidades.
Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a resposta do aprisionamento. Embora pareça haver consenso de que essa seja a medida ideal e de que lugar de bandido é na cadeia, seu efeito é passageiro: o criminoso fica impedido de delinqüir apenas quando estiver preso. Ao sair, estará mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais e dificilmente encontrará quem lhe dê emprego.
Construir cadeias custa caro; administra-las, mais ainda. Para agravar, obrigados a optar por uma repressão policial mais ativa, aumentaremos o número de prisioneiros a ponto de não conseguirmos edificar prisões na velocidade necessária para albergá-los.
Seria mais sensato investir o que gastamos com as cadeias em educação, para prevenir a criminalidade e tratar os que ingressaram nela. Mas, como reagir diante da ousadia dos que fizeram do crime sua profissão sem investir pesado no parelho repressor e no aprisionamento que é uma guerra perdida?
Estamos nesse impasse!
Na verdade, não existe uma solução mágica a curto prazo. Precisamos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os policiais a executar sua função com dignidade, criar leis que acabem com a impunidade dos criminosos bem-sucedidos e construir cadeias novas para substituir as velhas, mas isso não resolverá o problema enquanto a fábrica de ladrões colocar em circulação mais criminosos do que nossa capacidade de aprisioná-los.
Só teremos tranqüilidade nas ruas quando entendermos que ela depende do envolvimento de cada um de nós na educação das crianças nascidas na periferia do tecido social. O desenvolvimento físico e psicológico das crianças acontece por imitação. Sem nunca ter visto um adulto, ela andará literalmente de quatro pelo resto da vida. Se não estivermos por perto para dar atenção e exemplo de condutas mais significantes para esse batalhão de meninos e meninas soltos nas ruas pobres das cidades brasileiras, vai faltar dinheiro para levantar prisões.
Enquanto não aprendemos a educar e oferecer medidas preventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes e criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na sociedade por meio da educação formal de bom nível, das práticas esportivas e da oportunidade desenvolvimento artístico.
VARELLA, Dráuzio. In Folha de S.Paulo, 9 mar. 2002.


1. No texto “Violência epidêmica”, afirma-se que nos bairros pobres a violência urbana “adquire características epidêmicas”. Considerando o conceito de epidemia (doença infecciosa que ataca simultaneamente grande número de indivíduos), explique como o autor justifica essa afirmação.

2. Esse texto apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão. Identifique tal divisão.

3. A organização de um texto pode ser observada ao se extrair de cada parágrafo a idéia desenvolvida em cada um. Qual é a idéia principal de cada um?

4. Na introdução, é apresentada a tese, para inteirar o leitor do que está sendo desenvolvido em seguida. Identifique essa tese.

5. Na conclusão, o argumentador retoma o que foi dito no início: a violência é uma doença contagiosa. Ele afirma que não existe solução mágica para o problema da violência urbana, portanto, é preciso adotar algumas medidas. Quais são elas?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Modernismo e Metalinguagem

1. Leia o que disse João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, sobre a função de seus textos:

“Falo somente com o que falo: a linguagem enxuta, contato denso; falo somente do que falo: a vida seca, áspera e clara do sertão; falo somente por quem falo: o homem sertanejo sobrevivendo na adversidade e na míngua. Falo somente para quem falo: para os que precisam ser alertados para a situação da miséria no Nordeste.”

Para João Cabral de Melo Neto, no texto literário,

a)a linguagem do texto deve refletir o tema, e a fala do autor deve denunciar o fato social para determinados leitores.
b)a linguagem do texto não deve ter relação com o tema, e o autor deve ser imparcial para que seu texto seja lido.
c)o escritor deve saber separar a linguagem do tema e a perspectiva pessoal da perspectiva do leitor.
d)a linguagem pode ser separada do tema, e o escritor deve ser o delator do fato social para todos os leitores.
e)a linguagem está além do tema, e o fato social deve ser a proposta do escritor para convencer o leitor.

2. Do pedacinho de papel ao livro impresso vai uma longa distância. Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma. A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa; ela faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda. O período de maturação na gaveta é necessário, mas não deve se prolongar muito. ‘Textos guardados acabam cheirando mal’, disse Silvia Plath, (...) que, com esta frase, deu testemunho das dúvidas que atormentam o escritor: publicar ou não publicar? guardar ou jogar fora?
(Moacyr Scliar. O escritor e seus desafios.)

Nesse texto, o escritor Moacyr Scliar usa imagens para refletir sobre uma etapa da criação literária. A idéia de que o processo de maturação do texto nem sempre é o que garante bons resultados está sugerida na seguinte frase:
a) “A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa.”
b) “Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda.”
c) “O período de maturação na gaveta é necessário, (...).”
d) “Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma.”
e) “ela (a gaveta) faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho.”

Política e Cidadania

Os textos a seguir nos falam da importância de nos mantermos vivos, ativos e atuantes. Reúnem a responsabilidade do cidadão às realizações do ser humano. Com base nas informações dos textos lidos, e no filme Nenhum Deles, do projeto Educacine, vamos refletir sobre as seguintes questões:
Qual a importância da política na vida do cidadão?
De que forma um cidadão pode ser atuante em sua comunidade?
O que é realmente necessário para o cidadão brasileiro viver com dignidade? Você, por exemplo, tem fome de quê?
O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?


Comida - (Titãs)

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida
A gente comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte (hum)

A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer (comer é bom)

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?

A gente não quer só comer
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer pra aliviar a dor
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade

Refrão

A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer

A gente não quer só comer
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer pra aliviar a dor

A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade

Desejo,
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade.


“A política foi inventada como o modo pelo qual a sociedade internamente dividida, discute, delibera e decide em comum para aprovar ou reiterar ações que dizem respeito a todos os seus membros”.
Marilena Chauí, em Convite a Filosofia.

“Se você tem mais de 18 anos, vai ter de votar nas próximas eleições. Se você tem 16 ou 17 anos, pode votar ou não. O mundo exige dos jovens que se arrisquem. Que alucinem. Que se metam onde não são chamados. Que sejam encrenqueiros e barulhentos. Que, enfim, que exijam o impossível.
Resta construir o mundo de amanhã. Parte desse trabalho é votar. Não só cumprir sua obrigação. Tem de votar com hormônios, com ambição, com sangue fervendo nas veias. Para impor aos vitoriosos suas exigências – antes e principalmente depois das eleições”.
André Forastiera, em Muito além do voto.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Simbolismo

O simbolismo foi um movimento que se desenvolveu nas artes plásticas, teatro e literatura. Surgiu na França, no final do século XIX, em oposição ao Naturalismo e ao Realismo.

Características do Simbolismo:

- Ênfase em temas místicos, imaginários e subjetivos;
- Caráter individualista
- Desconsideração das questões sociais abordadas pelo Realismo e Naturalismo;
- Estética marcada pela musicalidade (a poesia aproxima-se da música);
- Produção de obras de arte baseadas na intuição, descartando a lógica e a razão
- Utilização de recursos literários como, por exemplo, a aliteração (repetição de um fonema consonantal) e a assonância (repetição de fonemas vocálicos).

Simbolismo no Brasil

No Brasil, o simbolismo teve início no ano de 1893, com a publicação de duas obras de Cruz e Souza: Missal (prosa) e Broquéis (poesia). O movimento simbolista na literatura brasileira teve força até o movimento modernista do começo da década de 1920.


Principais artistas simbolistas

Literatura internacional:

- Charles Baudelaire – autor da obra As flores do mal (1857) que é considerada um marco no simbolismo lliterário.
- Arthur Rimbaud
- Stéphane Mallarmé
- Paul Verlaine

Literatura brasileira:

- Cruz e Souza
- Alphonsus de Guimaraens

Mais informações aqui:


Atividades



Texto I: Viola Chinesa

Ao longo da viola morosa
Vai adormecendo a parlenda
Sem que amadornado eu atenda
A lenga-lenga fastidiosa.

Sem que o meu coração se prenda,
Enquanto nasal, minuciosa,
Ao longo da viola morosa,
Vai adormecendo a parlenda.

Mas que cicatriz melindrosa
Há nele que essa viola ofenda
E faz que as asitas distenda
Numa agitação dolorosa?

Ao longo da viola, morosa...

(Camilo pessanha)

Vocabulário:
morosa: lenta
parlenda: conversa, discussão
amadornado: sonolento
atenda: preste atenção
fastidiosa: tediosa
ofenda: desperte
asitas: asinhas
distenda: estenda
melindrosa: sensível


1. Considerando as duas primeiras estrofes, percebemos que o poeta explora bastante certos fonemas, produzindo uma musicalidade que se espalha por todos esse versos. Explique esse trabalho de linguagem, apontando a ocorrência desse efeito sonoro.

2. Em que estado se encontra o eu lírico enquanto ouve a "viola morosa"?

3.O poeta simbolista está sempre aberto aos estímulos sensoriais, que lhe despertam sugestões, emoções indefinidas e vagas. repare que, à medida que a conversa morre, fica no ar apenas o som da viola. Em que versos da terceira estrofe revela o eu lírico a inquietação que o som da vida produz em seu interior?

4. O eu lírico define essa inquietação ou apenas a registra? Justifique.

5. Em resumo: que características tipicamente simbolistas você reconhece nesse texto?



Texto II: Violões que choram...
(fragmento)

Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.

Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites da solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.

Sutis palpitações a luz da lua,
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.

Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.

Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos Nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram,
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...

E sons soturnos, suspiradas magoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre ramagens frias.

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.
(Cruz e Souza, jan. 1897)


Vocabulário:
plangentes: que choram
ignotas: desconhecidas
sutis: leves, delicadas
palpitações: sobressaltaos
anseio: desejo
dilacerando: torturando
pungem: ferem
laceram: machucam
dolências: mágoas, tristezas
soturnos: tristes
veladas: abafadas
volúpias: delícias
vórtices: redemoinhos
vulcanizadas: entusiasmadas

6. Os elementos sensoriais - sons, cores e odores - constituem estímulos para a imaginação do poeta simbolista, que, a partir deles, desenvolve associações de ideias bem particulares. Nesse texto, que elemento sensorial serve de ponto de partida para o poema?

7. Com que são comparados ou associados os sons dos violões?

8. Os osns dos violões despertam que recordações no eu lírico?

9. Considere agora o aspecto sonoro dos versos. Que trabalho de linguagem se destaca no texto? Por quê?

10. Em resumo: que características tipicamente simbolistas estão presentes nesse texto?



Texto III: Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
(Alphonsus de Guimaraens)

11. O ritmo envolvente e a riqueza de sugestões que desperta fizeram desse poema um dos mais famosos do nosso Simbolismo. Vamos considerar, inicialmente, o ritmo. Que medida métrica e esquema de rimas usou o poeta?

12. Em sua loucura, Ismália queria a lua do céu e a lua do mar. Considerando a dimensão simbólica do poema, o que pode representar esse desejo? De que "loucura" se trata?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Resumo de Memórias de um sargento de milícias

Foi publicado originalmente em folhetins no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, entre 1852 e 1853, anonimamente. O livro foi publicado em 1854 e no lugar do autor constava "um brasileiro".

A narrativa de Memórias de um sargento de milícias, de estilo jornalístico e direto, incorpora a linguagem das ruas, classes média e baixa, fugindo aos padrões românticos da época, onde os romances retratavam os ambientes aristocráticos. Considerada uma obra precursora do realismo, destaca-se entre as primeiras produções românticas da literatura brasileira.

O romance se passa no início do século XIX. Em uma viagem de navio, Leonardo Pataca conhece Maria das Hortaliças. Na viagem, os dois se apaixonam e, chegando no Brasil, Maria descobre que está grávida e os dois vão morar juntos. Desse relacionamento nasce um filho: Leonardo. Porém, anos depois, Leonardo descobre que Maria o está traindo. Eles brigam e Maria foge de casa com o capitão de um navio. Com a separação, Leonardo sai de casa e leva seu filho para ser criado pelo padrinho. O padrinho de Leonardo era um barbeiro que queria que Leonardo fosse padre, mas o menino não tinha a menor vocação, ao contrário, ele era muito travesso. O tempo se passa e Leonardo se torna um típico malandro carioca: não possuía emprego e ficava vadiando. Porém, a sua vida muda quando conhece Luizinha, sobrinha de D. Maria, uma amiga do padrinho. Ele se apaixona por Luizinha, porém tem um rival, José Manuel, que está interessado na herança da moça. Com a ajuda de sua madrinha, uma parteira, eles afastam o José Manuel de Luizinha. Entretanto, o padrinho de Leonardo morre e ele tem que voltar a viver com o pai e acaba não se dando bem com sua nova madrasta e, após uma discussão, foge de casa. Leonardo vai viver com um amigo em uma casa bastante agitada e com muita gente. Acaba se apaixonando por Vidinha e o amor é recíproco. Porém, esse namoro não agrada aos dois primos de Vidinha que têm intenções de se casar com ela. Para tirar Leonardo do caminho, eles vão até Vidigal, o chefe de polícia, e acusam Leonardo de vadiagem. Vidigal prende Leonardo quando ele, Vidinha, e seus dois primos saem para um passeio noturno. Mas, no caminho até a delegacia, ele consegue fugir. Mais tarde, Leonardo arruma um emprego na Ucharia Real. Dessa forma, Vidigal não poderia prendê-lo. Mas ele se envolve com a mulher do "toma-largura" e é demitido e preso. Enquanto isso, José Manuel e Luizinha se casam, porém ele a trata muito mal. Vidinha, com ciúmes de Leonardo, vai tomar satisfações com a mulher do "toma-largura". Mas, o que acaba acontecendo, é que o "toma-largura" se interessa por Vidinha. Enquanto isso, por saber muito sobre a vida marginal, Leonardo vira policial. Porém, Leonardo, pelo seu gosto por travessuras e muitas vezes pelo seu bom coração, acaba protegendo e ajudando os bandidos. Vidigal o prende. A comadre, em desespero, tenta de todas as formas conseguir a libertação de Leonardo, mas tudo em vão até ela conhecer Maria-Regalada, velho amor de Vidigal. Juntas, não só conseguem a libertação de Leonardo, como sua promoção a sargento e isso tudo vem em boa hora, já que com a morte de José Manuel Luizinha, agora viúva, se casa com Leonardo e tudo termina em um final feliz, como nos padrões do romântico da época.


Análise dos personagens

Os personagens são planos, ou seja, eles não mudam seu comportamento no desenrolar da história. Por exemplo, como pode ser visto nesse trecho:
Um grito de espanto, acompanhado de uma gargalhada estrondosa dos granadeiros, interrompeu o major. Descoberta a cara do morto, reconheceu-se ser ele o nosso amigo Leonardo!...
Este trecho mostra Leonardo zombando de seu próprio chefe, o major Vidigal. Ou seja, Leonardo, mesmo depois de adulto, continua sendo travesso, malandro e outras características que ele mantém desde de criança. Os personagens se destacam apenas por traços gerais e comuns ao grupo que pertencem. É tão exagerado, que as personagens muitas vezes não são tratadas por seus nomes, e sim por seu tipo, ou profissão: toma-largura, comadre, parteira, barbeiro, primo.


Espaço

O espaço físico apresentado na obra é o meio urbano brasileiro do século XIX. A história se passa no Rio de Janeiro, e descreve seus principais pontos, como igrejas, principais ruas, mas descreve também pontos bem à margem da sociedade, como acampamentos de ciganos e bares. O autor retrata as classes média e baixa existentes na época, contrariando muitos românticos que retratavam a aristocracia. Quase em nenhuma parte, o livro retrata um ambiente aristocrático.


Foco narrativo

A narrativa é feita em terceira pessoa (mas há passagens do livro em que o foco narrativo passa da terceira pessoa para a primeira pessoa) o que torna mais completa a caracterização das personagens e seu foco secundário vai variando.
O autor utiliza diálogos que retratam a linguagem dos personagens. Esse tipo de narrativa faz com que o texto fique mais interessante, pois ficam evidentes as ironias usadas pelo narrador.


Estilo

Manuel Antônio de Almeida utiliza uma linguagem que se aproxima da jornalística, o que torna claros e objetivos os seus textos. Outro aspecto é a utilização de personagens comuns na época, como o barbeiro, a parteira, o major, tornando, assim, a história mais próxima do leitor.
Em alguns trechos, o narrador é onisciente, ou seja, ele não participa da história. Exemplo são as passagens em que o narrador "entra" no pensamento do personagem.


Verossimilhança

Ao contrário de outras obras românticas, o autor mostra uma visão bem próxima à realidade. Os problemas sociais, as atitudes dos personagens e uma visão menos idealizada da realidade caracterizam a obra como precursora no Realismo. Personagens como Major Vidigal, por exemplo, realmente existiram.
Movimento literário
A obra Memórias de um sargento de milícias é uma obra romântica, que, conseqüentemente, apresenta algumas características típicas do movimento. A obra, porém, é um romance urbano, que desenvolveu temas ligados à vida social. A história, porém, não apresenta os exageros sentimentais comuns à maioria das obras românticas.
Fazendo o uso da ironia, o autor deixa perceber que sua intenção era divertir o leitor com os problemas sociais de sua época.
O livro abandona a linguagem metafórica e a mulher e o amor não são idealizados, como em outras obras pertencentes ao Romantismo. Em algumas partes o autor chega mesmo a ironizar o Romantismo.
O final feliz de Luizinha e Leonardo, porém, é uma característica tipicamente romântica


Conclusões

Nota-se que, apesar de romântico, ao longo da trama vários aspectos do movimento são criticados, e diversas vezes satirizados. O livro foge a diversas características do estilo romântico, o relacionamento amoroso não é idealizado, Leonardo não se mostra corajoso e íntegro, como nos padrões do herói romântico. Mostra-se vagabundo, irresponsável, um anti-herói. Ele não é um vilão, mas não representa um modelo de comportamento; é uma pessoa comum. O final da história é como em todos os outros contos românticos: Leonardo e Luizinha se casam e vivem felizes para sempre.
Apesar do Livro ter sido escrito no século XIX, época do Romantismo, o livro não pode ser classificado como um, e sim como uma obra Excêntrica. Os fatos que compravam que tal obra é excêntrica são a ausência de maniqueísmo e personagens idealizados. Outro fator é a existência de metalinguagem, valor herdado de Machado de Assis (amigo de Manuel Antônio de Almeida), que viveu no Realismo. Por tais motivos, fica inviável classificá-la como uma obra do Romantismo, apesar de ser escrita na época em que tal movimento literário ganhara forças.

Reflexão: O que é um clássico?

O termo clássico surgiu derivado do adjetivo latino classicus, que indicava o cidadão pertencente às classes mais elevadas de Roma. No século II d.C. um certo Aulo Gelio (Noctes Atticae) utilizou-o para designar o escritor que por suas qualidades literárias poderia ser considerado modelar em seu ofício: "Classicus scriptor, non proletarius."
Durante o Renascimento, o termo clássico reapareceria, seja em textos latinos, seja nas línguas vernáculas, referindo-se tanto a autores greco-latinos quanto a autores modernos da própria época, considerados modelos de linguagem literária na língua vernácula.
No século XVIII - o termo se estenderia aos autores que aceitavam os cânones da retórica greco-latina: ordem - clareza - medida - equilíbrio - decoro - harmonia e bom gosto.
Tornou-se, pois, a base de uma estética essencialmente normativa. Assim, clássico indicando modelo exemplar cristalizou-se como tradição, como cânone gramatical e semântico, como relicário do idioma e como um conjunto de regras imutáveis, isto é, universais e ahistóricas. No plano da mensagem, o que valia para caracterizar um clássico era a sua dimensão edificante, seus componentes morais e a sua capacidade de apresentar as paixões humanas de forma decorosa.
No século XIX, a grande rebelião romântica começou a destruir a rigidez conservadora que envolvia a idéia de uma obra clássica. Victor Hugo mandou as regras às favas, abrindo um caminho mais liberto para a criação literária. Contudo, foram as vanguardas das primeiras décadas do século XX - especialmente Futurismo e Dadaismo - que levaram a ruptura com o classicismo às ultimas conseqüências, propondo, a exemplo de Marinetti, a destruição de bibliotecas, museus e tudo aquilo que representasse o "peso vetusto da tradição".
Passado o furor das vanguardas, o que ficou? No plano do senso comum, clássico hoje indica uma obra artística superior, definitiva e que, por seus vários elementos estético-ideológicos, aproxima-se daquilo que (de forma mais ou menos nebulosa) chamaríamos de perfeição. Porém esta obra não tem mais o sentido normativo que possuía no passado já que sua beleza lhe é irredutivelmente própria. Verdade que, nas escolas, a reverência exagerada aos clássicos - sobretudo aos da Antigüidade - veio até a década de 1960, ao ponto de muitos de nós, professores, termos sido torturados, nas aulas de língua portuguesa, com a análise sintática de Os Lusíadas.
As sucessivas mudanças culturais, corridas no Ocidente, especialmente a partir dos anos de 1960, quebraram toda e qualquer idéia de obra modelar e instauraram um conceito mais amplo e flexível do que seria um clássico.
O que delimita um clássico?
Esquematicamente poderíamos apontar alguns traços definidores do que hoje se considera um texto clássico:

1. São obras que ultrapassam o seu tempo, persistindo de alguma maneira na memória coletiva e sendo atualizada por sucessivas leituras, no transcurso da história.

2. Apresentam paixões humanas de maneira intensa, original e múltipla. São paixões universais (ou pelo menos "ocidentais") e têm um grau de maior ou menor flexibilidade em relação à historicidade concreta.

3. São obras que registram e simultaneamente inventam a complexidade de seu tempo. De maneira explícita ou implícita desvelam a historicidade concreta, as idéias e os sentimentos de uma época determinada. Há uma tendência geral: quanto mais explícita for a revelação histórica, menor o resultado estético. Na verdade, o espírito da época deve estar introjectada na experiência dos indivíduos.

4. São obras que criam formas de expressão inusitadas, originais e de grande repercussão na própria história literária. Há clássicos que interessam em especial (ou talvez unicamente) ao mundo literário, como, por exemplo, o Ulisses, de Joyce.

5. São obras de reconhecido valor histórico ou documental, mesmo não alcançando a universalidade inconteste. Nesta linha situam-se aquelas obra que são clássicas apenas na dimensão da história literária de um país, como por exemplo, a obra de José de Alencar, ou apenas de uma região, como por exemplo as obras de Cyro Martins ou Aureliano de Figueiredo Pinto.

6. Talvez a característica fundamental de uma obra clássica seja a sua inesgotabilidade. Ou como diz Calvino: "Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer".
7. Um clássico é fundamental também pelo efeito que deflagra na consciência do leitor. Sob esta ótica, devemos considerar que ele é, simultaneamente:

• Forma única de conhecimento - transmite paixões humanas oriundas de um patrimônio universal (que é a experiência do homem);

• Utilização da linguagem de uma maneira exemplar, original e inesperada;

• Um conjunto de revelações, idéias e sentimentos que têm a propriedade de durar na memória mais do que outras manifestações artísticas (música, cinema, etc.) Estas podem ter (e geralmente têm) um impacto maior na hora da fruição, mas seu prolongamento emotivo - a sua duração - é mais breve e inconsistente do que o proporcionado pela grande obra literária.

• Um não contra a morte. Por perdurar, a obra clássica ultrapassa o tempo e a finitude humana. De uma certa forma, é um protesto contra o sem sentido da vida.
Bibliografia:
Calvino, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.

Drummond

Texto I: Confidência do Itabirano (Drummond)

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
Vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

1. De que palavra se utiliza o poeta para mostrar que ter nascido em Itabira o fez diferente?

2. Por que ele diz ser “de ferro”? Em que outro sentido estão também usadas estas palavras no poema?

3. O poeta guardou de Itabira a lembrança das noites em claro, de uma vida sem distrações e sem perspectivas. Que verso exprime isso?

4. Que espécie de sentimento quis o poeta exprimir com os versos relativos à fotografia de Itabira?


5. Depois de falar em orgulho o poeta fala em cabeça baixa. Esta expressão denuncia a existência também de um sentimento oposto ao orgulho. Que sentimento é esse?


Texto II: Os Ombros Suportam O Mundo (Drummond)
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

6. Em três versos o poeta exprime sua recusa em aceitar o amor apenas do homem pela mulher. Que versos são esses?

7. Em que verso o poeta resume os grandes problemas que afligem o mundo atual?

8. Como o poeta se refere àquele que se recusam a enfrentar a realidade que os cerca?

9. Embora sozinho e nada mais esperando da vida, o poeta parece enxergar uma luz de esperança na escuridão. Em que verso ele exprime isso?

10. Que expressão é usada para sugerir que o peso dos problemas que o cercam não o abate?

Texto III: Mãos Dadas (Drummond)
Não serei o poeta se um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
A vida presente.

11.“Não serei o poeta de um mundo caduco”.Que sentimento tem o adjetivo caduco nesse verso?

12. Transcreva do texto o verso em que o eu lírico expressa claramente seu desejo de solidarizar-se com os homens e não de isolar-se.

13.O que há de comum entre “mundo caduco” e “mundo futuro” para que o eu lírico se recuse a cantá-los?

14. Transcreva os versos em que o eu lírico se recusa a usar a poesia como simples expressão sentimental do seu mundo interior

Uso de crase

NÃO, ANTES DE
• Pronomes relativos (ex: eis a mulher a cuja empregada ajudamos)
• Verbos (ex: a fazer)
• Artigo indefinido (ex: a uma)
• Pronome pessoal (exs: a ela, a V.a)
• Pronome indefinido (a cada, a toda, a alguma, a nenhuma, a essa, a esta, a certa)
• Pronome interrogativo (ex: A qual?)
• Locuções repetidas (ex: gota a gota)
• Preposição (ex: ante a comissão)
• Terra # bordo (ex: o navio voltou a terra)
• Casa = residência (ex: voltei a casa)
Obs: voltei à casa dos sonhos (com complemento = determinada)
às sete horas / refiro-me às três candidatas (numeral determinado)
não vejo bem a distância / ele estava à distância de dez metros (com complemento)

SIM, ANTES DE
• Locuções adverbiais femininas (exs: às vezes, à noite)
• Locuções conjuntivas femininas (ex: à medida que)
• Locuções prepositivas femininas (exs: em frente à grade, à procura de)
• Pronomes demonstrativos (ex: àquele, àquilo)
• Conjunção proporcional (à medida que, à proporção que)
• Horas (ex: às 13:00 horas)
• “À moda” (ex: à inglesa)
• Nome de lugar (ex: fui à Bahia)
Obs: vou a Roma (venho de Roma), vou à Itália (venho da Itália)
resposta igual à que dei (determinada)

OPCIONAL
• Pronomes possessivos (ex: a/à sua, a/à dela)
• Substantivos próprios (ex: a/à Sônia)

Obs: Obs: há = passado
a = futuro

A Velha Contrabandista

Leia a narrativa abaixo e responda às questões abaixo:

A Velha Contrabandista
Stanislaw Ponte Preta

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!
Aí quem riu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com moamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco s ó tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.
- Juro - respondeu o fiscal.
- É lambreta.

1- Qual é o título da narrativa e quem é o autor?
______________________________________________________________________________________________________________________________


2- Quem são as personagens da história?
______________________________________________________________________________________________________________________________


3- Trace um perfil das seguintes personagens:
a) a velha _______________________________________________________
_______________________________________________________________

b) o fiscal: ______________________________________________________
_______________________________________________________________


4- O tempo em que se passa a história é determinado pelo autor? Justifique sua resposta transcrevendo trechos do texto. ___________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________


5- Onde se passa a história?_______________________________________
______________________________________________________________


6 – O narrador é observador ou personagem? Transcreva um trecho do texto que justifique sua resposta. _______________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________

Substantivo

1.Forme substantivos abstratos seguindo o modelo:
a) garota inteligente
b) pássaro livre
c) máquina ociosa
d) prédio alto
e) namorados felizes

2. Complete as frases abaixo com os seguintes coletivos:

FLORA ENXAME NUVEM FAUNA MOLHO CONSTELAÇÃO

a) A Amazônia tem ricas e exóticas _________ e ___________.
b) O apicultor foi atacado por um ________ de uma colmeia que estava aberta.
c) Fomos surpreendidos por uma _________ de gafanhotos.
d) No alto, a _____________ ornou o céu noturno.
e) Deixei o __________ de chaves perto da porta.

3.Complete o quadro:

Masculino Feminino Masculino plural Feminino plural
papai
cidadão
guarda-civil
menininho
ator
juiz
amante
homem
cão
co-autor

4.Indique os substantivos abstratos de ação referentes aos seguintes verbos:
caçar voltar estudar sair parar
dar ir ajudar sossegar cumprimentar
nadar redigir escrever ler resolver
morar falar pagar governar dirigir

5. Classifique os substantivos em abstrato ou concreto:
a) O pato selvagem é excelente caça.
b) A caça aos meliantes foi prolongada e intensa.
c) A fortuna não bate à porta dos egoístas.
d) Este homem tem imensas riquezas.
e) A riqueza não traz a felicidade.
f) A pintura moderna é superior à dos gregos.
g) o Discóbolo de Mirão é uma escultura célebre.
h) Fazer justiça é o dever dos governos.
i) O governo da coisa pública deve ser orientado pela Justiça de olhos vendados.

6. Forme o plural dos diminutivos:
papelzinho coraçãozinho colherzinha florzinha
mãozinha mulherzinha fiozinho narizinho
irmãzinha anelzinho farolzinho irmãozinho

7. Dê a forma feminina para os substantivos masculinos:
irmão ator barão elefante hóspede
abade perdigão cavalo carneiro o mártir
juiz professor o ouvinte ateu o intérprete
judeu europeu genro compadre padrinho
cavaleiro cavalheiro padrasto frade rico-homem

8. Forme o plural das seguintes palavras estrangeiras correntes no português:
dólar corpus campus lady blitz

9. A partir dos adjetivos dados, forme substantivos abstratos:
claro escuro forte fraco inteligente dócil
rico pobre alto altivo constante tímido
justo sóbrio divino célebre difícil sutil
legal pálido branco preto distinto ágil

10. Leia as afirmativas e responda o que se pede:
- O cônjuge se aproximou.
- O servente veio atender-nos.
- O gerente chegou cedo.

Não está claro se é homem ou mulher:
a) na primeira afirmação.
b) na segunda afirmação.
c) na terceira afirmação.
d) na primeira e segunda afirmações.
e) na segunda e terceira afirmações.

O Classicismo

Texto I

Quando da bela vista e doce riso
Tomando estão meus olhos mantimento,
Tão enlevado sinto o pensamento
Que me faz ver na terra o Paraíso.

Tanto do bem humano estou diviso,
Que qualquer outro bem julgo por vento;
Assi que em caso tal, segundo sento,
Assaz de pouco faz quem perde o siso.

Em vos louvar, Senhora, não me fundo,
Porque, quem vossas cousas claro sente,
Sentirá que não pode merecê-las.

Que de tanta estranheza sois ao mundo,
Que não é de estranhar, Dama excelente,
Que quem vos fez fizesse céu e estrelas.

Vocabulário:
Tomando mantimento: tomando consciência
Estou diviso: estou separado
Sento: sinta
Não me fundo: não me empenho

1. Caracterize brevemente a concepção de mulher que este soneto apresenta.

2. Aponte duas características desse soneto que o filiam ao Classicismo, explicando-as sucintamente.

Texto II:

Amor é fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
é solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

3. O poema tem, como característica, a figura de linguagem denominada antítese, relação de oposição de palavras ou idéias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente presente.
a) “Amor é fogo que arde sem se ver.”
b) “É um contentamento descontente.”
c) “É servir a quem se vence, o vencedor.”
d) “Mas como causar pode seu favor.”
e) “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

4. O poema pode ser considerado como um texto:
a) argumentativo.
b) narrativo.
c) épico.
d) de propaganda.
e) teatral.

5.Como se denomina a forma em que está composto?

6.É um exemplo de medida nova ou medida velha? Por quê?

7. Qual a figura de linguagem presente em todo o poema e
por que ela foi utilizada?

8. O que a indagação final revela?


9. Na lírica de Camões:

a) O metro usada para a composição dos sonetos é a redondilha maior.

b) Encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.

c) Cantar a pátria é o centro das preocupações.

d) Encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.

e) A mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade.

10. “No mar, tanta tormenta e tanto dano,

Tantas vezes a morte apercebida;

Na terra, tanta guerra, tanto engano,

Tanta necessidade aborrecida!

Onde pode acolher-se um fraco humano,

Onde terá segurança a curta vida,

Que não se arme e se indigne o céu sereno

Contra um bicho da terra tão pequeno?”

Nesta estrofe, Camões:

a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra.

b) considera quanto o homem deve confiar na providência divina que o ampara nos riscos e adversidades.

c) lamenta a condição humana ante os perigos, sofrimentos e incertezas da vida.

d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem.

e) classifica o homem como um bicho da terra, dada a sua agressividade.


11. Por que o Renascimento tem esse nome?

12. Ilustra a situação literária do período renascentista, exceto:
a) Os melhores autores da Antiguidade greco-latina foram tomados como modelos ideais.
b) Na produção lírica, predominou o amor paixão, relegando-se a segundo plano o amor como idéia, mais espiritualizado.
c) O princípio da imitação literária existiu, mas não significou cópia servil dos textos imitados.
d) O desenvolvimento da razão levou os autores ao desejo de analisar, de conhecer, de sistematizar o fenômeno literário.
e) Criação de uma estética de caráter antes racional do que baseado na impulsão dos sentidos.

13. Assinale a alternativa incorreta sobre Os Lusíadas.
a) Os Lusíadas são a mais importante epopéia de todo o Renascimento europeu, e está entre as maiores de todos os tempos.
b) Por ser a maior glória da língua e literatura portuguesa, Os Lusíadas tornaram-se referência obrigatória, influindo na poesia brasileira e portuguesa dos séculos posteriores.
c) Os Lusíadas são um canto de louvor à glória do povo português, verdadeiro protagonista do poema, como sugere o próprio título, que significa “os lusitanos”, isto é, “os portugueses”.
d) Sem duvida, o tom patriótico que exalta a superioridade lusitana é muito forte em Os Lusíadas, o que dá ao poema um valor exclusivamente nacionalista.
e) Desde o primeiro verso de Os Lusíadas (“As armas e os barões assinalados”), nota-se que um dos modelos importantes do poema de Camões é a Eneida, de Virgílio, que apresenta no início uma frase imitada pelo poeta português: “Arma uirunque cano...” (eu canto as armas e o varão...)

14. Assinale a alternativa correta.
a) Os Lusíadas têm como maior herói o rei D. Sebastião, celebrado como o responsável pela expedição de Vasco da Gama à Índia.
b) O sentimento cristão declarado de Os Lusíadas impede a manifestação do erotismo, que a mitologia greco-latina contém.
c) Os Lusíadas são um poema épico de exaltação nacionalista, pois celebram os grandes feitos dos portugueses. No entanto, Camões ultrapassa a particularidade nacional ao celebrar os valores universais da civilização européia.
d) O episódio de Inês de Castro não tem fundamento histórico, trata-se de uma bela ficção crida pela genial imaginação de Camões.
e) Os Lusíadas nada têm de aristocrático, como se pode notar na intenção de exaltar todo o povo português, e não somente uma elite.

15 .Assinale a alternativa correta.
a) Camões compôs sua poesia lírica em versos de medida velha (origem ibérica medieval) e medida nova (origem italiana renascentista).
b) Destacam-se, entre os poemas líricos de Camões, os sonetos, em que são mínimas as influências do poeta humanista italiano Petrarca e do filósofo clássico grego Platão.
c) Na poesia lírico-amorosa, Camões esteve estritamente ligado à perspectiva neoplatônica, o que explica a inexistência de erotismo em seus sonetos.
d) Entre os temas da lírica camoniana, destaca-se o do “desacerto do mundo”, segundo o qual a natureza do mundo é contraditória e estática,
e) Há, na poesia lírica de Camões, um total abandono de temas bíblicos e cristãos e uma adesão completa ao paganismo greco-latino.


Texto V
Esparsa

Os bons vi sempre passar
No mundo grandes tormentos;
E, para mais m`espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mal, mas fui castigado:
Assi que, só para mim
Anda o mundo concertado.

16. Assinale a alternativa correta.
a) Poema épico em “medida velha”; temática neoplatônica.
b) Poema satírico em “medida nova”, tematizando o desacerto do mundo.
c) Poema lírico de “medida velha”, tematizando o desconcerto do mundo.
d) Poema dramático em “medida nova” sobre o pessimismo.
e) Poema lírico em “medida nova” sobre a mutabilidade de todas as coisas.

Texto VI

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram, ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana.
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
E também as memórias gloriosas
Daqueles reis, que foram dilatando
A Fé, o Império e as terras viciosas
De África e de Ásia, andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram:
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram,
Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Netuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

17. Assinale a alternativa incorreta.
a) Essas estrofes, que abrem Os Lusíadas, contêm a Proposição do poema.
b) O desdobramento do mar desconhecido, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, a expansão do Império português e do cristianismo por África e Ásia são o assunto do poema.
c) O poema afirma a superioridade das navegações e dos feitos dos heróis portugueses perante os de Grécia e Roma antigas.
d) O primeiro verso de Os Lusíadas imita a abertura da Eneida, de Virgílio, onde se lê: “Arma uirumque cano... “ (eu canto as armas e o varão...).
e) O poeta se diz capaz de libertar os homens da lei da morte, por força de seu engenho e arte.

Texto VII:

Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.

18. Assinale a alternativa errada.
a) O poema inicia com uma apóstrofe aos “alegres campos”, aos “verdes arvoredos” e às “claras e frescas águas”, isto é, a natureza é a interlocutora do eu lírico.
b) Na segunda estrofe, o eu lírico declara à paisagem que ela não pode mais alegrar seus olhos, pois ele é dominado por um mal que o impede de ser feliz.
c) A terceira estrofe explica que a impossibilidade de a agradável paisagem alegrar o eu lírico se deve a uma mudança que este sofreu.
d) Na quarta estrofe, o eu lírico declara sua disposição de modificar a paisagem, semeando nela o que nele está: “lembranças tristes”, que regadas de lágrimas farão nascer “saudades de meu bem” .
e) O poema, como um todo, tematiza a harmonia entre a aspereza da paisagem bucólica e a delicadeza de sentimentos do eu lírico.

19. Em linhas gerais, o que foi o Renascimento?

Texto IX
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

20. A quem Camões se dirige nos versos citados, que iniciam um célebre soneto do autor?

21. Como se deu a morte da pessoa aludida nos versos?

Literatura - Introdução

OS ESTILOS DE ÉPOCA


Podemos fazer a seguinte evolução, que procura englobar todos os movimentos desde os tempos dos gregos e romanos. Daremos, sempre, uma sintética visão de cada um dos Estilos.

1 Classicismo greco-romano: Visão pagã do homem, apresentado como um ser perfeito, quase um super-herói. Busca da expressão perfeita. Culto da objetivamente. Antropocentrismo, isto é, o homem no centro dos interesses e objetivos (da arte).

2 Medievalismo: Visão cristã. A terra é passagem para o céu, que é a verdadeira preocupação do homem. Este é um ser imperfeito quanto ao corpo, que é necessário purificar. Religiosidade e subjetivismo. Teocentrismo (Deus passa a ser o centro de tudo),

3 Classicismo e Renascimento: Negação dos princípios medievais e valorização da estética greco-romana. Super-homens, símbolos do predomínio da terra e do corpo sobre o céu e alma. Culto da perfeição, da objetividade.

4 Barroquismo: Tentativa de combater a volta ao espírito pagão, dominante no Renascimento. Procura a fusão céu + terra, espírito + matéria, alma + corpo. Esta fusão impossível cria angústia, contradições, aparência de confusão e imperfeição. É o estilo da Contra-Reforma.

5 Arcadismo, Neoclassicismo: Busca a calma e a simplicidade, perdidas durante o Barroco. Procura-se o ideal da vida no contato com a terra, o campo (Arcadismo) ou no culto das ciências e na volta ao Classicismo (Iluminismo e Neoclassicismo).

6 Romantismo: É o estilo da revolução Francesa, que, por si mesma, é o símbolo do ideal nacionalista, popular e da negação do passado clássico elitizante. É o culto do amor, do mistério, do exótico, do passado medieval como berço da nacionalidade. É a fuga do meio social, através da “viagem” ao próprio Eu, ao passado, à natureza. É o estilo da liberdade.

7 Realismo, Parnasianismo, Naturalismo: Negação da fuga romântica, valorizando-se o real, o contemporâneo. Negação do sonho, do subjetivismo e culto do retrato fidedigno, do relato da “vida como ela é” (Realismo) ou, mesmo, do enfoque de tipos e fatos os mais torpes e podres (Naturalismo). Ideal da perfeição e da objetividade. Na poesia, o Parnasianismo. É o estilo do materialismo, do cientificismo ateu, do evolucionismo de Darwin.
Temas sociais e atividades de trabalho aparecem, constantemente, nas obras da Época Realista.

8 Simbolismo: O homem, saturado do real-material, procura, no sonho, a perfeição. Culto do inconsciente, do Exótico, do Indizível.

9 Modernismo: Tentativa de renovação total através do combate violento de quase todo o passado. Busca da nova maneira de expressar o que jamais foi enfocado. Diversas e contraditórias correntes, algumas com o propósito implícito de escandalizar o burguês. Pesquisa de novas expressões e de expressão de novas “realidades”, muitas até então inexploradas. É uma libertação maior ainda que a romântica

As eras literárias brasileiras

A literatura brasileira tem sua história dividida em 2 grandes eras: que acompanham a evolução política e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional, separadas por um período de transição, que corresponde à emancipação política do Brasil. As eras apresentam subdivisões chamadas de escolas literárias ou estilos de época. Dessa forma, temos:

Era Colonial: de 1500 a 1808

- Quinhetismo, de 1500 a 1601: conjunto de textos sobre o Brasil, que evidenciam a condição brasileira de terra nova a ser conquistada.

- Seiscentismo ou Barroco, longo período que se estende de 1601 a 1768.

- Setecentismo ou Arcadismo, de 1768 a 1808, constitui no que poderíamos chamar, verdadeiramente, o primeiro momento de uma literatura sistematizada produzida no Brasil.

Período de transição: de 1808 a 1836

A turbulência dos acontecimentos políticos dominou a cena a ponto de não encontrarmos, nesse período, uma única obra literária significativa.

Era Nacional: de 1836 até nossos dias

- Romantismo, de 1836 a 1881, é a 1ª escola literária com traços genuinamente nacionais.

- Realismo, de 1881 a 1893, o que denominamos aqui escola realista constitui um amplo movimento literário que envolve três tendências distintas: romance realista, romance naturalista e poesia parnasiana.

- Simbolismo, de 1893 a 1922

- Modernismo, de 1922 até nossos dias atuais, representa o grande divisor de águas da literatura brasileira, estabelecendo os limites entre o velho e o novo, entre o ultrapassado Brasil rural e o moderno país industrial e urbano.


Atividades


1. Numere os parênteses, estabelecendo a correspondência entre o movimento literário e sua característica.

1. Romantismo

2. Parnasianismo

3. Simbolismo

4. Modernismo

( ) Predomínio do sentimento e do sonho sobre a lógica e a razão.

( ) Desmistificação dos ideais passados, linguagem coloquial, liberação da forma.

( ) Ideal de arte pura, com emprego de recursos plásticos da linguagem em versos perfeitos.

( ) Busca do divino e do transcendental; escolha das palavras pela musicalidade e pela interrelação com os sentidos



2. Entre as palavras sublinhadas, no poema “As rosas do tempo”, são conotativas:


As rosas do tempo

Admirável espírito dos moços

A vida te pertence. Os alvoroços,

As iras e entusiasmos que cultivas

São as rosas do tempo, inquietas, vivas.

Erra e procura e sofre e indaga e ama,

Que nas cinzas do amor perdura a flama.

(Carlos Drummond de Andrade)


a) rosas, cinzas, flama.

b) admirável, rosas, cinzas

c) moços, entusiasmos, rosas

d) cinzas, flama, admirável

e) entusiasmos, rosas, flama


3. Segundo o texto abaixo, qual é a condição fundamental para a condição poética?


A um passarinho

Para que vieste

Na minha janela

Meter o nariz?

Se foi por um verso

Não sou mais poeta

Ando tão feliz!

(Vinícius de Moraes)